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Jumento Pêga
O Jumento Pêga é uma raça de asininos brasileira, formada em Lagoa Dourada - MG. Os jumentos também são utilizados para obtenção de híbridos ( burros e mulas ), a partir de cruzamentos com as éguas. Os muares são animais ágeis, dóceis e resistentes, sendo de grande utilidade no transporte de cargas (carroça, cangalha, etc.), tração (arados, carpideiras, plantadeiras, etc. ), lida com gado, passeios, cavalgadas, concursos de marcha e enduros.
Não escapou à clarividência do padre Manoel Maria Torquato de Almeida, pastor de almas do Arcebispado de Mariana, para que na sua Fazenda do Cortume, situada nas fraldas da Serra de Camapoan no município de Entre Rios de Minas, em 1.810, uma criação selecionada de jumentos nacionais. A visão deste religioso, de origem portuguesa, culto e operoso , vislumbrou um horizonte de maior importância para a pecuária nacional. Por certo, utilizou uma alta mestiçagem entre as raças italiana e egípcia e uma posterior seleção dos melhores animais para praticar os acasalamentos entre eles.
As raças têm as suas histórias e lendas. A raça Pêga também tem as suas. O nome Pêga tem origem no aparelho formado por duas argolas de ferro, formando algemas, com o qual os senhores prendiam pelos tornozelos os escravos fugitivos. Os jumentos que deram origem à raça , eram marcados a fogo pelos seus proprietários, com uma marca figurando aquele aparelho. Assim, todos os animais deste grupo original passaram a ter a marca Pêga, e reconhecidos como raça com este mesmo nome.
O Padre Torquato em 1847 , vendeu ao Coronel Eduardo José de Rezende , proprietário da Fazenda do Engenho Grande dos Cataguazes, no município de Lagoa Dourada, dois machos e sete fêmeas de seus selecionados jumentos da raça Pêga, já famosa num vasto raio da região.
O Coronel Eduardo continuou a obra de melhoramento da raça com o mesmo carinho e entusiasmo do seu iniciado, voltando especial cuidado para a padronização do seu grupo de animais . Ampliou o seu criatório. A criação de jumento do Cel. Eduardo, com a sua visão intuitiva de melhorador, com a sua prudência mineira, com o seu idealismo, pode ser considerada como o berço e o marco concreto da formação da raça Pêga, hoje difundida por todo o território nacional e oficialmente reconhecida.
Para confirmar a visão de idealista do cel. Eduardo, há noticia que fez doação de um lote de jumentos a todos os seus filhos, talvez, com a intenção de que o seu trabalho não pudesse ser perdido por fatores ocasionados da vida e ficar, assim, preservada a história e a formação da raça ligada à família.
A raça Pêga é hoje , o orgulho da pecuária nacional. O Pêga é o jumento que se afirma , tornando-se o jumento da "PREFERÊNCIA NACIONAL" .
Texto da ABCJPêga © Copyright 2005

Mula, Muar (Burro), Bardoto
Em seu significado moderno comum, uma mula é o indivíduo fêmea resultante do cruzamento de um jumento, Equus asinus, com uma égua, Equus caballus. O macho resultante desse cruzamento é chamado mú ou muar ou burro. Entretanto, o cruzamento das mesmas espécies porém invertidos os sexos (portanto cavalo X jumenta), dá origem a um animal diferente, o bardoto. A mula, o muar e o bardoto são normalmente chamados de bestas. O termo besta (Latim bestia) refere-se a um "híbrido" estéril resultante do cruzamento entre duas diferentes espécies.São raros os casos em que uma mula deu à luz; com efeito, desde 1527, data em que os casos começaram a ser arquivados, apenas 60 casos foram registrados.
Desde a vulgarização dos motores a diesel, nos anos 40 e 50, os muares perderam terreno para os equipamentos motorizados, mas continuam a ser admirados pela sua capacidade e de utilidade no trabalho, seja na zona rural ou no meio urbano, no transporte de turistas, transporte de cargas pesadas em regiões montanhosas e ou de difícil acesso, entretanto, não podemos aceitar de forma efetiva a desvalorização desses fantásticos animais ao longo da História do Brasil, até mesmo com as afirmações infelizes, como: “As mulas estão marchando na contramão da História”, disse Geraldo de Macedo, Secretário de Agricultura de Currais Novos, no Rio Grande do Norte (Revista Época de 26 de agosto, 2002).
Segundo Oliveira (2006), os muares são utilizados desde o Brasil Império, servindo de montaria para ir à cidade e para viagens distantes, podendo fazer etapas diárias de até 40 km, sem esgotar-se. Sobre o lombo dos resistentes muares transportavam-se alimentos, mercadorias diversas e, até mesmo, armas e munições. Seu papel foi mais extraordinário ajudando a transportar em dado momento, nossas ingentes riquezas: o ouro das minas, o açúcar dos engenhos e o café das fazendas (Vieira, 1992). No tropeirismo, tiveram importante papel na formação do Brasil, em específico no Rio Grande do Sul – criando e mantendo núcleos urbanos que viviam isolados. Através do transporte (nos lombos dos burros e mulas) de produtos, como alimentos e utensílios, entre diferentes e distantes regiões. Os tropeiros ajudaram a consolidar as fronteiras nacionais. Desde o início do século XVII, Vacaria Del Mar era conhecida e percorrida pelos tropeiros, sendo estes contrabandistas de gado que visavam abastecer as Minas Gerais. O tropeiro de gado foi responsável pelo fornecimento de animais para o corte, passando a objetivar os rebanhos de mulas (Goulart, 1962). O tropeirismo foi uma atividade econômica desenvolvida no sul do Brasil. Com a descoberta de grandes jazidas de ouro nas regiões de Minas Gerais, no Século XVIII, o gado muar, encontrado nos campos sulinos, passou a suprir a necessidade de meio de transporte.
Segundo Goulart (2001), a utilização do muar como animal de sela nunca chegou a ser regular e nem muito intensa: sempre se resumiu os casos de absoluta necessidade, inclusive é tido como o animal nobre, amigo, fiel ao homem, o muar, por sua vez, é muito hábil, inteligente mesmo de pessoas de ínfima condição financeira, mas que, tão pronto podiam, adquiriam seu cavalo de sela, desprezando a nobre “mula de patrão”.
Nos dias atuais, os muares ainda são de muitíssima utilidade, desde a coleta de materiais recicláveis nas cidades, no transporte de forrageiras, na retirada de areia em rios, no transporte de materiais de construção, no transporte alternativo, na agricultura familiar e no turismo, reforçando em um percentual importante na economia brasileira. Na atualidade, os muares são utilizados nas cavalgadas e nos concursos de marchas na região Sudeste, onde os animais têm uma valorização comercial acentuada (Andrade, 1999 b).
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Éguas Mangalarga Marchador
O Mangalarga Marchador é uma raça de cavalos cuja origem remonta à coudelaria Alter Real, que chegou ao Brasil por meio de nobres da Corte portuguesa e, após, cruzada com cavalos de lida, em sua maioria de raças ibéricas (bérberes), que aqui chegaram na época da Colonização do Brasil.
Segundo a tradição, em 1812, Gabriel Francisco Junqueira (o barão de Alfenas) ganhou de D. João VI, um garanhão da raça alter Real e iniciou sua criação de cavalos cruzando este garanhão da raça Alter com éguas comuns da Fazenda Campo Alegre, situada no Sul de Minas onde hoje é o município de Cruzília. Como resultado desse cruzamento, surgiu um novo tipo de cavalo que acreditamos foi denominado Sublime pelo seu andar macio.
Esses cavalos cômodos chamaram muito a atenção, e logo o proprietário da Fazenda Mangalarga trouxe alguns exemplares de Sublimes para seu uso em Paty do Alferes, próximo à Corte no Rio de Janeiro. Rapidamente tiveram suas qualidades notadas na sede do Império - principalmente o porte e o andamento - e foram apelidados de cavalos Mangalarga numa alusão à fazenda de onde vinham.
Em 1934 foi fundada a ABCCRM, Associação Brasileira de Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga. Anteriormente tinha havido uma notável migração de parte da Família Junqueira para São Paulo em busca de melhores terras e riqueza. Chegando em novo solo, com topografia diferente, cultura diferente, onde a caçada ao veado era diferente, os cavalos tiveram que se adaptar a uma nova topografia e necessidades tendo a necessidade de um cavalo de melhor galope mais resistente por isto foi mais valorizado a marcha trotada que tem apoios bipedal de dois tempos com tempo mínimo de suspensão que cumpria as novas exigências do animal sem perder a comodidade, pois os animais de tríplice apoio apesar de serem mais cômodos não conseguiam acompanhar o ritmo alucinante das caçadas e a lida com gado em campo aberto que eram as duas maiores funcionalidades do cavalo Mangalarga no estado de São Paulo. Tanto o Mangalarga Marchador como o Mangalarga ou Mangalarga Paulista, são duas raças ibérica.
Devido à inevitável diferença que estava surgindo entre os criadores de Mangalarga de São Paulo e de Minas, foi fundada em 1949 uma nova Associação, a ABCCMM. Esta Associação teve origem a partir de uma dissidência de criadores que não concordavam com os preceitos estabelecidos pela ABCCRM e teve como objetivo principal a manutenção da Marcha Tríplice Apoiada.
O tempo passou e a ABCCMM é hoje a maior associação de equinos da América Latina, com mais de 250.000 animais registrados e mais de 20.000 sócios registrados, com cerca de três mil ativos. Durante o período de meados de 70 ao final da década de 1990 o Marchador teve uma ascensão astronômica no segmento da equinocultura, batendo recordes de animais expostos, registrados, e de preços em leilões oficiais.
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Pêga
Marcha com Raça Pura